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Me casei com 16 anos, e meu sonho era ter filhos, sempre fui apaixonada por crianças, com dois meses de casada engravidei, foi uma alegria para nossa família, afinal seria o primeiro neto, tanto do lado paterno como do lado materno.
Mas a partir dos três meses de gestação comecei a sentir muitas dores e a cada dia que passava as dores aumentavam, o médico dizia que as dores eram normais, mas quando chegou aos 7 meses, não suportando mais as dores, eu pedi a ele fizesse alguma coisas pois as dores eram insuportáveis, eu não conseguia fazer nada, só gemendo de dor o tempo todo.
Então ele pediu que eu fizesse um ultrassom, no dia seguinte uma prima do meu esposo foi comigo, contava os passos, quando cheguei em casa as dores me paralisaram, tive que me deitar.
Quando deu meia noite a bolsa estourou e tivemos que correr para o hospital, era uma mistura de alegria com preocupação, a ansiedade de ver o rostinho do meu bebe.
Fiquei internada e com medo de dormir, mas a enfermeira me disse que eu poderia ficar tranqüila que quando o neném quisesse nascer ele me acordaria.
A expectativa era grande, mas o sono me pegou e acordei com o neném querendo nascer, nossa! não tem como explicar a espera da chegada em breve do seu primeiro filho.
O neném tinha tudo para nascer na cama do quarto, a parteira parecia ser da família porque ele se alegrava junto comigo com a chegada daquele nenê, ela sorria e dizia “ vamos o neném quer vim”, mas não teve jeito tive que ir para sala de parto.
E a parteira me ajudava muito e feliz ela dizia novamente, “vamos mais um pouco o nenê nasce”, e quando o nenê nasceu ela fechou o sorriso e me disse, você poderá ter outros filhos, não entendi e tentei ver o embrulhinho que a enfermeira levava nas mãos, mas não deu estava deitada e ela não me permitiu.
O que achei estranho é que minha sogra deu uma causa morte do nenê e minha mãe deu outra enquanto eu estava no hospital, minha tia Romilda sempre foi sentimental, mas naquele dia ela chorou tanto quando foi me visitar, mas não caiu a ficha, estranhei, mas tudo bem.
O que me levou a entender, apesar de sofrer foi que minha mãe sempre dizia “Deus pode nos tirar quantos filhos ele quiser porque ele pode nos dar quantos ele quiser”.
Vim para casa e na esperança de engravidar denovo. Ainda estava de dieta quando fui na casa de meus pais e nós conversávamos sobre a personalidade de algumas pessoas e ele comentou sobre minha sogra dizendo que ela era uma pessoa realista. Chegou a tarde e fui embora (morava com minha sogra) e por incrível que pareça quando cheguei em casa o assunto era o mesmo, sobre personalidades, então eu disse para minha sogra que meu pai estava falando sobre isso e dizia que a achava uma pessoas realista, (eu estava sentada no sofá) nisso ela se virou para mim e disse “e sou mesmo e vou te contar uma coisa, sua filha nasceu ....... era um monstro, não tinha boca etc... eu entrei em estado de choque, as lágrimas caiam e eu não conseguia falar, fiquei travada eu tentava abrir a boca, mas não conseguia, impossivel descrever a dor, minha cunhada Vera (hoje falecida) ria dizendo (as lágrimas caindo).
Eu fiquei muito revoltada, indignada, consegui abrir a boca a dizia que era mentira, então ela dizia que eu fosse perguntar para meus pais e foi o que fiz.
Mas infelizmente eles me confirmaram, meu pai ficou muito chateado com minha sogra, pois o médico teria dito que eu poderia ter filhos normais, então era para esperar eu estar com um filho nos braços primeiro depois tudo bem. (Com menos de três meses de gestação eu tive contato com minha prima que estava com rubella, foi essa a causa da deformação do nenê) eu fiquei transtornada, eu não tinha tido monstros eu tive duas crianças perfeita e saudáveis e eu iria provar para as pessoas que elas eram perfeitas e saudáveis, quantas vezes eu quis me jogar de baixo de um carro para morrer e ir embora com elas, eu acreditava que minhas filhas eram lindas, na verdade eu fiquei transtornada.
Mas eu tinha uma idéia, eu iria desenterrar minhas filhas e leva-las atéas pessoas e mostrar que elas eram normais, e eu iria fazer isso de qualquer jeito, levaria para as meus pais, meu sogro, inha sogra etc...
Acordei um dia disposta a fazer isso e fui para o cemitério da vila formosa, ao chegar me agachei e comecei a chorar, como eu chorava naquele momento, chorava de soluçar, a dor era muito grande, eu queria começar desenterrar, mas um coveiro já idoso que eu o chamo de anjo até hoje, ficava me olhando de longe e não saia do lugar, se eu fosse desenterrar minhas filhas ele não ia deixar, então eu aguardava ele se retirar, mas derrepente ele se aproxima de mim e me pergunta quem estava ali e em prantos comecei a contar para ele o horror que diziam de minhas filhas e que eu iria provar para essas pessoas que era mentira
Ele então começou a contar que era casado e tinha uma única filha. Quando ela ainda criança ficou muito doente entre a vida e a morte, ele e sua esposa fizeram uma promessa para que DEUS não levasse sua filha e Deus atendeu. Antes eles não tivessem feito aquela promessa, sua filha havia se tornado uma mulher da vida.
Ele dizia que minha filha seria motivo de curiosidade para as pessoas, elas não poderiam brincar como as outras crianças e nem poderiam sair na rua, ele me disse tantas coisas que fez com que eu pensasse nelas e não em mim e sai dali liberta e feliz em saber que elas não passariam por esse sofrimento e nunca mais voltei naquele cemitério para esse fim.
Depois me contaram que foi repórter porque uma enfermeira saiu contando, mas que uma outra infermeira negou o caso então eles foram embora. A parteira percebeu que as crianças não sobreviveriam por muito tempo e batizaram com o nome de Maria Jose e Maria de Lourdes, logo em seguida elas faleceram.
Só Deus nos deixa de pé.
Eliana Fialho da Silva Cuim
Coordenadora do grupo de oração São Miguel Arcanjo