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A Revelação como encontro
Deus, na medida em que é revelado à experiência humana por intermédio de Jesus, é pessoal. E é possível descrever a experiência dessa revelação utilizando-se analogamente um marco de comunicação intersubjetiva ou interpessoal. Não se trata de uma operação dedutiva que argumenta com base na personalidade de Deus, e sim de uma fenomelogia da experiência da revelação cristã que responde pela crença segundo a qual Deus é pessoal. A revelação cristã não se afigura como conhecimento a respeito de Deus como que de um objeto, nem mesmo como conhecimento sobre uma pessoa transcendente. A revelação cristã assume antes a forma de um encontro pessoal com um sujeito divino. Quais são alguns dos atributos da experiência quando descrita nesse paradigma? Uma primeira característica da revelação cristã é que se trata de uma comunicação intersubjetiva. Deus é experienciado como sujeito, de tal sorte que o contato ou a percepção humana de Deus não pode ser um conhecimento acerca de Deus como que de um objeto. Na revelação cristã, Deus é experienciado como eu pessoal. Deus é experienciado como presente e interno ao próprio eu; Deus comunica seu ser à consciência do próprio ser-presente-a-si-mesmo. Deus é pessoal, e o fundamento dessa afirmação é a experiência de Deus como sujeito pessoal. Em segundo lugar, na revelação cristã de Deus, experiencia-se Deus como transcendente. Porque Deus é Deus, a personalidade de Deus consiste em uma subjetividade infinita. Quando experienciamos Deus no âmago de nós mesmos, sabemos que não estamos simplesmente experienciando o eu, e sim uma presença ao eu que transcende infinitamente nossa própria subjetividade. Quando experienciamos Deus nos meios da história e através deles, o tema dessa experiência é que Deus transcende os meios, os eventos, as pessoas e a linguagem históricos que o evocam à consciência. Deus transcende o mundo físico, a própria natureza, o universo ou o cosmo. A infinitude de Deus é vivenciada na experiência da própria finitude de tudo quanto existe e do qual o eu faz parte. Já se percebe aqui uma razão mais profunda pela qual o conhecimento de Deus não pode ser conhecimento objetivo, em nenhuma acepção comum, acerca de Deus. A subjetividade de Deus é uma subjetividade infinita. Não pode ser contida, limitada, fixada, determinada por uma objetividade que por definição é finita, limitada, fixada, determinada por uma objetividade que por definição é finita, limitada e circunscrita. Por sua natureza, uma experiência de Deus é experiência daquilo que transcende infinitamente a própria subjetividade e os meios históricos terrenos que fazem do ser presente de Deus um objeto da consciência. Em terceiro lugar, o encontro revelacional, portanto, envolve o tema da gratuidade e a fé. Todavia, a partir das coordenadas da comunicação interpessoal, a razão mais profunda desse da graça torna-se manifesta. A autocomunicação de Deus é função de sua liberdade interior. Deus não é compelido a comunicar seu eu interior. A revelação tem sempre o caráter de evento; manifesta-se de forma imprevista. O correlato desse caráter de evento reside na liberdade de Deus. Sempre que a revelação ocorre ou é experienciada como encontro interpessoal com Deus, apropria qualidade temática da experiência é que ela se realiza a partir da livre iniciativa de Deus. A relevância dessa caracterização da experiência revelacional de Deus reside sobretudo em sua fidelidade à própria experiência. Não corresponde, em certa medida, aos que os cristãos dão a entender quando aludem ao processo revelacional de Deus? Se essa descrição se coaduna efetivamente com a experiência, também encerra alguma relevância adicional. Explica por que a fé cristã não é conhecimento na acepção comum do termo, e ao mesmo tempo preserva a dimensão cognitiva da fé da revelação. A revelação não é sabedoria filosófica, nem conhecimento científico, nem alguma forma de conhecimento impessoal e objetivo, nem conhecimento das coisas ou dos eventos históricos, nem conhecimento histórico, nem conhecimento propositivo acerca de Deus, nem conhecimento produzido por idéias inatas, nem verdade apriorística latente na pessoa humana como tal. Todas essas outras espécies de conhecimento têm algo a ver com a revelação, que, porém, não é redutível a nenhuma dessas formas de conhecimento humano. Pelo contrário, a revelação é sui generis, representa um conhecimento de espécie própria, que em última análise difere de qualquer outra modalidade de conhecimento. Situamo-lo no marco analógico do conhecimento pessoal, intersubjetivo. Entretanto, como resultado da autocomunicação de Deus, transcende o próprio marco analógico. Por ser uma forma sui generis de conhecimento, a revelação não compete com nenhuma outra forma de conhecimento, e nenhum outro dado do conhecimento humano com ela compete. Visto que a revelação não é de forma alguma conhecimento objetivo, é simplesmente equivocado, por um erro a priori nas categorias, encarar o conhecimento cientifico ou qualquer outra modalidade de conhecimento deste mundo como ameaça à revelação. Na obstante, em que pese essa diferença qualitativa das demais formas de conhecimento, a revelação é, contudo cognitiva. Como consciência divina, a revelação é uma forma de conhecimento de Deus.
Eduardo Rocha Quintella
Bacharel em Teologia pelo Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora-Minas Gerais
E-mail: eduardoquintella@uol.com.br
Website: www.eduardoquintella.com.br |
Eucaristia
Jesus não nos ensinaria o caminho se não tivéssemos condições para aprender o que nos revela em seu santo evangelho e ainda mais, se tornou corpo e sangue pela salvação de nossas almas. “Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. e o pão que eu lhe der, é a minha carne para salvação do mundo.” (João 6 vers: 51) .
É na Eucaristia que está nossa chance de alcançar o infinito que é a presença transformadora de Jesus ressuscitado. “Quando um pecador se apresenta o santo se revela”. Porque a eucaristia é um mistério que nunca alguém conseguiu explicar? Quantas pessoas se curaram e alcançaram graças no momento de comunhão? Por um ato de fé, quando nos apresentamos pecador o cristo se revela e a graça acontece. Mas geralmente não reconhecemos nossos pecados e por isso, recebemos o corpo e o sangue de Jesus eucarístico e continuamos como frios. A maior fonte de cura e libertação, o momento mais sublime é quando se relembra a “morte e ressurreição de cristo”. Estar atentos a cada momento, do perdão, do louvor, da oferta e enfim a consagração eucarística. Tem vezes que a missa parece mais uma feira do que uma igreja, muitos de nós só paramos de conversar por que a missa inicia. Devemos com certeza entender que nosso interior é muito agitado e nem no momento do banquete conseguimos dar atenção somos como um mar violento e não conseguimos nos acalmar porque só queremos dar tempo e atenção àquilo que nos interessa e desejamos ouvir e fazer? Damos tempo ao namorado, às amizades, as compras, passeios etc... Mas quando estamos na missa o que mais nos lembramos é de pedir, pedir, como se o senhor tivesse uma varinha mágica a nosso serviço, nosso maior problema é que invertemos nos colocando como “senhor” e colocando o senhor no lugar de “servo”. Muitos comungam e não há transformação, continuam frios, insensíveis etc... A eucaristia é compromisso, não podemos comungar e durante a semana se esquecer do que nos comprometemos, na verdade oração diária e eucaristia não caminham separados. É preciso unir “PRÁTICA E TEORIA”, pois é impossível agir diferente, aquele que verdadeiramente experimenta este amor de Deus libertador na eucaristia tem uma vida comprometida com o evangelho a seus irmãos.
No momento da consagração, estamos relembrando a crucificação e ressurreição de Jesus e é preciso se deixar ser resgatado a cada encontro pessoal com Jesus, é ai que o impossível acontece, porque experimentamos a misericórdia de Jesus e aprendemos o que é a verdadeira compreensão, amor, partilha etc... Já não temos a necessidade de viver a procura, pois a eucaristia é a força não só para nossos momentos de fraquezas, mas, principalmente para nossos irmãos que estão fracos na fé.
É impossível termos convicção de participarmos do grande banquete no céu, pois só o pai sabe quem são aqueles que participarão deste banquete, caso contrário, devemos nos colocar sempre como servos, “aquele que serve e não deseja ser servido”. “ Que não se justifica mas crê que Jesus vivo na eucaristia é quem o justifica”.
É possível você comungar e ter atitude de fariseu? Será que o senhor nosso Deus se deixa convencer por nós pecadores e não por seu filho que se deu como cordeiro naquela cruz? Até onde vai nossa mentalidade tão infantil a ponto de pensar que o pai nos vê como vítimas inocentes, sendo conhecedores do evangelho e sempre cometendo os mesmos absurdos o tempo todo?.
Até quando nós servos de Deus vamos parar de pensar em nós mesmo e nos convencer de que fomos chamados a ser misericordiosos uns para com os outros, dar a vida e não tirar a vida com nossa hipocrisia?
“Vós me chamais Mestre e senhor, e dizeis bem, porque eu o sou. Logo, se eu, vosso Senhor e Mestre, vos lavamos os pés, também vós deveis lavar-vos os pés uns dos outros”. (João 13 vers: 13-14).
Muitas vezes não conseguimos nos encontrar conosco mesmo, porque temos
muita sede de ensinar, de ser, de querer fazer, estamos machucados e acabamos fugindo de nossas feridas tão doloridas, isso é natural do ser humano, mas, é vontade de Deus que mudemos de procedimento, pois o senhor não tarda em nos corrigir e suas mãos com certeza será muito pesada para com seus servos que ainda insiste em ser aquilo que não é se colocando no lugar de Deus. Afinal os frutos da eucaristia deve ser isso, aprender com o mestre Jesus o que é misericórdia e depois deixar que a misericórdia se revele aos nossos irmãos atravéz de nós.
O reino de Deus está próximo, seu dia pode ser manhã, então receba a eucaristia e o busque no silencio de sua alma.
“É no silencio de sua alma que Jesus Eucarístico se deixa ser encontrado”
Eliana Fialho da Silva Cuim
elfialho@uol.com.br
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Oração e Reflexão
A oração é o que nos dá a direção certa, mas ela precisa ser acompanhada com o desejo daquilo que estamos pedindo ou agradecendo, precisa ter um sentido, uma razão, isso é orar com o coração. “Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim” . (Marcos 7 ver: 6.).
Muitas vezes oramos pensando em tantas coisas e não conseguimos entrar em sintonia com Deus e receber a paz que o mundo não da, esta paz flui naturalmente e que podemos dizer que é o resultado de uma oração confiante e amante há Deus. Somos amantes das coisas do mundo, porque fomos concebidos no pecado original, então lógica é que nosso coração não está em Deus, mas, sim nas coisas do mundo. O que nos falta é sermos mais autênticos e verdadeiros conosco mesmos.
Nós temos o costume de orar esperando a graça para ontem e se demorar menos de um dia, já ficamos aborrecidos com Jesus, pois para nós é fácil Jesus resolver nossos problemas. Mas erramos, pois essa é uma falsa mentalidade, certo é que Deus ilumina nossa mente e nosso coração nos dando o equilíbrio para resolvê-los e não resolver por nós.
Orar é dar atenção, estar atento ao que estamos nos comunicando, e também dar o direito do mesmo falar. É um diálogo que só tem sentido quando as duas partes têm o mesmo direito “uma de falar” e o “outro de escutar” e vice versa (quero dizer, partilha de comunicação).
A falta de oração nos deixa, arrogantes, cegos espiritualmente, sem paciência com nada, inquietos, agitados, queremos ser compreendidos, mas não queremos compreender
ninguém, se irrita com facilidade etc...o contrário do que Paulo nos ensina quando nos fala do amor de DEUS 1º Coríntios 13.
É fácil darmos atenção ao senhor quando: estamos endividados, desempregado(a),solitários, enfermos, quando perdemos um ente querido, etc... Muitos experimentam a eficácia desta atenção mesmo que sendo na dor, nas necessidades, não o abandona mais. Triste são aqueles que continuam do mesmo jeito nos caminhos da Deus, neutro e com falsos procedimentos.
Quantas vezes nos perguntamos “o que foi que eu fiz para sofrer tanto”? “Porque o senhor não ouve minhas orações”? Encontramos esta resposta em Tiago 4 1-8.
Eu acredito em dois destinos “humano” e “Divino”.
Humano: é uma vida sem compromisso com os mandamentos das leis de Deus, rezamos, vamos a missa, alcançamos graças,vencemos muitas dificuldades, buscamos há Deus, mas o senhor não pode participar da nossa vida.
“Divina” o senhor acompanha nossa vida mesmo antes de nascermos, já sabe tudo que vamos passar, e num determinado tempo da nossa vida o senhor de uma forma ou de outra, vem ao nosso encontro para nos mostrar o caminho da felicidade, intervem em meio ao nosso sofrimento e nos dá uma direção completamente oposta da que deveríamos seguir se fosse humana, então nosso destino muda, isso quer dizer que é muito fácil ser feliz e viver em paz só o que nos falta, é fazer nossa opção de vida.
“Humano” um destino que eu escolho, “Divino”, escolhido por Deus. A oração nos faz seguir este caminho ao qual Deus está direcionando. Para seguir é necessário a escuta, dar atenção, colocar em prática o que Jesus nos ensina.
É uma carênia que todos nós seres humanos temos, até que sejamos curados, iremos sempre questionar, porque vivemos do que é carnal e não espiritual.
O que nos ajuda muito a encontrar as respostas para nossa vida é muito simples, “a reflexão” e a “oração pessoal” e é justamente disso que o ser humano mais foge porque estamos presos ao mundo e as pessoas, (------)
A mentalidade humana é egoísta só aprendemos a lutar pelos nossos objetivos, por aquilo que interessa a nós mesmos, completamente o oposto da mentalidade divina, só
olhamos para nosso próprio umbigo. “A reflexão nos leva a descobrir nossas misérias humanas, e ao mesmo tempo encontramos com clareza, o que é “verdade” e o que é “mentira”. É justamente isso que Deus quer fazer em nós, tirar do nosso coração essa idéia, de que precisamos sempre estar fazendo alguma coisa para agradar o coração de Pai e para conquistar este céu prometido por seu filho Jesus. Não podemos servir a dois senhores (Mateus 6 vers: 24) ou ocupamos nossa mente e nosso coração com as coisas de Deus ou nos ocupamos com coisas do mundo. Lembro-me que um dia eu estava num momento de oração e o senhor me dizer bem assim.
“Na oração podem me encontrar, muitos não me encontram porque não oram, mas, os que oram são conduzidos pelo meu espirito santo e não vivem no engano, porque eu sou a verdade. Não é a cruz que me separa do povo é o povo que se separa de mim, Porque sou um Deus eterno”. O amor não separa o amor une e ao mesmo tempo separa, porque o verdadeiro amor não tem máscara, ele é real e não precisa ser o que não é “o Amor é o Amor”.
Não adianta vivermos orando se em nossas atitudes não colocamos em prática o amor de DEUS.
Depois de nossas orações, quando voltamos para o nosso dia a dia, nossa atitude é completamente oposta daquelas lindas palavras de louvor e adoração que dirigimos ao senhor nosso Deus.
Queremos que Deus realize as coisas como nós queremos e não como ele quer. Somos nós que devemos nos submeter a vontade de Deus e não ele a nós.
Portanto ame a DEUS como ele é e com certeza vc será muito mais feliz.
Eliana Fialho da silva Cuim
elfialho@uol.com.br |
O Jovem e seu processo
Qual é o seu momento?
Cada jovem é um processo, uma caminhada, uma história. Fico fascinado quando leio na bíblia a história de alguns jovens como Samuel, Davi, João, Pedro e tantos outros que tiveram suas vidas transformadas, porém sem perderem a essência daquilo que eram. Comecemos com João: Caríssimos amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus, e todo o que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. Aquele que não ama não conhece a Deus porque Deus é amor. (Jo 4,7-8). Podemos até mesmo nos perguntar diante desta passagem como era a personalidade de S.João use a sua imaginação: Um homem carinhoso, humilde, sereno cheio de amor pra dar, sem dúvidas que sim. Porém nem sempre ele foi tudo isso, por muitos anos S.João também foi o jovem Joãozinho. Confira esta outra passagem: “João tomou a palavra e disse: “Mestre, vimos um homem que expelia demônios em teu nome, e nós lho proibimos, porque não é dos nossos.” Mas Jesus lhe disse: Não lho proibais; porque, o que não é contra vós, é a vosso favor”. (Lc 9-49,50). Perceba que João é uma prova viva do processo que cada um de nós deve passar, ao longo da história da humanidade podemos perceber que Deus não quis ninguém pronto ele respeita o nosso processo e cada um de nós passa por um processo, uma caminhada, uma história diferente, você pode até passar por situações semelhantes a minha, mas a nossa maneira de reagir diante delas é diferente, simplesmente porque você e eu somos únicos, ninguém no mundo chora como você e nem sorri da mesma forma. E Deus usa da mesma paciência para com todos, portanto preciso te perguntar: Em que momento você está na sua caminhada com Deus? Fique tranqüilo com a resposta, toda resposta é boa, talvez você esteja num momento de euforia, alegria ou até mesmo num momento de deserto não importa o que nós precisamos é reconhecer este momento e vivê-lo, pois na busca daquilo que realmente somos, aos poucos vamos percebendo como estamos e a partir daí, Deus pode nos transformar naquilo que ele espera que sejamos Termino nosso bate-papo lembrando: carregar um momento e querer estendê-lo por muito tempo poderá impedir que você viva o novo que Deus tem pra você hoje, pois todo momento é um tempo que passa deixando marcas que ficam, algumas boas outras nem tanto, lições, saudades... Enfim fique tranqüilo pois logo perceberá que estará vivendo outro momento nesse processo maravilhoso chamado juventude.
Elton Carlos Cardoso eltinhocardoso@itelefonica.com.br
Fonte: www.cancaonova.com
E, até já morto, seu corpo profetizou.
Ir é nosso chegar é de Deus
“... e, até já morto, seu corpo profetizou. 15Durante a vida realizou prodígios e, mesmo na morte, suas obras foram maravilhosas.” (Eclo 48, 14b-15) Pai, por meio do Espírito Santo, pela paixão do Vosso Filho Jesus eu vos peço: atualiza esse acontecimento hoje em minha e em nossas vidas! Que como Elias, nossa vida e nossa morte profetizem. Esta palavra nos desperta para uma realidade nova. Uma realidade de quem serve a um Deus que é Senhor da vida sobre a morte. A morte não é maior que Deus, nem está fora de seu controle, até a morte é permitida por Deus, nem um fio de nosso cabelo cai sem que Ele saiba (Cf. Mt 10,30). A palavra da qual foi tirada a citação acima, fala de Elias, que foi um grande profeta. Como podemos hoje atualizá-la? Hoje temos espalhada a idéia de profetas. Que não é errada, mas por vezes é diminuída ao Dom da Profecia. Não estou contra o dom da profecia, estou tratando que o profeta o é, e o deve ser com a vida. Eis o difícil. O mistério da ascese cristã. Ser de Deus, ser um profeta, testemunhar “que tua mão desceu sobre mim e me retirou da escuridão, deu-me mãos e voz de profeta, deu-me um coração adorador” é um caminho difícil, que exige muito. Exige que transpiremos vida. Quem come e bebe o Deus da vida, não poderá exalar outra coisa senão a vida. É maravilhoso saber que a pobreza humana é escolhida, eleita para ser testemunho de vida divina. Esse é o meu chamado, o seu chamado, o chamado da Igreja. Que, até já morto, o corpo profetize. Que mesmo na morte, nossas obras sejam maravilhosas. A morte para nós são todas as situações de dor, angústia, depressão, luto, medo, síndromes, crises, traições, perdas, tudo o que poda a vida de nós. Tudo o que nos afirma: estás morto! E quantos acontecimentos, palavras, críticas têm esse poder? Como diz o Padre Fábio de Melo, nos seqüestra de nós, nos mata ainda vivos. Certo, isso é psicologicamente permissível, mas é divinamente reversível! Deus quer que nessas situações, em que “já estamos mortos”, profetizemos, realizemos obras maravilhosas. Claro, é mais difícil, a situação nos dá o “crédito” de se recolher, de chorar, de murmurar, exigir atenção, de receber ajuda carinho. Mas não permita-se viciar-se nela. E olha que não é difícil de acontecer. Então, é preciso coragem, força, atitude. O chamado de Deus é que sejamos santos, ou seja, diferentes, hajamos contra o natural. A expectativa de Deus é que superemos quando temos o direito de ser vencidos. É rir quando temos o direito de chorar. É ser forte quando ser fraco nos é legitimado pela situação. Se na dor murmuro, sou humano. Se na dor, louvo, sou divino. Dá pra entender?! Parece irreal, difícil, mas nossa vida de oração deve nos impulsionar a isso. Os santos não são santos por serem humanos normais. Mas por serem divinos nas situações humanas. Nossa humanidade não é contrária à divindade, mas a divindade é potencializada e plenamente concretizada nas situações humanas. Óbvio que tudo isso não é possível humanamente, se não houver o braço Divino. É preciso orar, pedir, clamar, esperar, crer, confiar, e ir! Ir é nosso, chegar é de Deus! Hoje tem sido pregada uma religião do conforto e satisfação. A cruz não parece ser muito confortável, e ser católico, é ser de cruz. É levar o ressuscitado. E para isso, na história inclui levar o crucificado. Essa é nossa fé. Alguém me disse uma vez: “Quando olhar para o crucificado, lembra que há o outro lado da cruz. E ele é seu. Assim, não sofrerás sozinho, pois saberás que Jesus está ao seu lado”. Jesus, mesmo morto, realizou maravilhas, como nossa salvação. E nós, não podemos deixar que nossas mortes nos sirvam de vergonha. Precisamos extrair a vida delas, e mesmo na morte, temos que realizar maravilhas. Para isso, Vinde Espírito Santo, acendei em nós o fogo do vosso amor!
Edgar Nogueira Lima
edgarnlima@gmail.com
Comunidade Rahamim
Fonte: www.cancaonova.com
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